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O segundo
filho de David e Batseba, i.e., o
primeiro depois de estarem casados
legalmente (2Sm 12). Terá nascido por
volta de 1035 AC (1Cr 22:5; 1Cr 29:1).
Sucedeu a seu pai já na sua juventude,
provavelmente com cerca de dezesseis ou
dezoito anos de idade. Natã, a quem a
sua educação fora confiada, chamou-lhe
Jedidias, i.e., “por amor do Senhor”
(2Sm 12 “nascido na dignidade real”. O
seu pai escolheu-o para seu sucessor,
passando por cima das queixas dos seus
filhos mais velhos: “Certamente, meu
filho Salomão reinará depois de mim”. A
sua história está registrada em 1Rs 1-11
e 2Cr 1-9. Subiu ao trono antes de o seu
pai morrer e isto foi rapidamente
conseguido principalmente por Batseba e
Natã, em conseqüência da rebelião de
Adonias (1Rs 1:5-40). Durante o seu
longo reinado de quarenta anos, a
monarquia hebraica atingiu o seu mais
alto esplendor. Este período tem sido
apelidado de “Era Augusta” dos anais
judaicos. A primeira metade do seu
reinado, contudo, foi a mais brilhante e
próspera; a última parte foi nublada
pela idolatria em que caíra,
principalmente por causa dos seus
casamentos pagãos (1Rs 11:1-8; 1Rs
14:21, 31).
Antes da sua morte, David deu ao seu
filho as últimas instruções (1Rs 2:1-9;
1Cr 22:7-16; 28). Mal se instalou no
trono e resolveu os assuntos do seu
vasto império, aliou-se ao Egito através
do seu casamento com a filha de Faraó
(1Rs 3:1), da qual, contudo, nada mais
está registrado. Rodeou-se de todos os
luxos e grandeza externa de um monarca
oriental e o seu governo prosperou.
Aliou-se a Hirão, rei de Tiro, que o
ajudou grandemente e de várias formas
nos seus inúmeros empreendimentos.
Durante vários anos antes da sua morte,
David envolvera-se na recolha de
materiais (1Cr 29:6-9; 2Cr 2:3-7) para a
construção de um templo em Jerusalém,
para a futura permanência da arca do
concerto ali. Não lhe foi permitido
construir a casa de Deus (1Cr 22:8);
essa honra estava destinada ao seu filho
Salomão.
Após a construção do templo, Salomão
envolveu-se na construção de vários
edifícios em Jerusalém e noutras partes
do seu reino. Durante treze anos, esteve
envolvido na construção do seu palácio
em Ofel (1Rs 7:1-12). Tinha cem cúbitos
de comprimento, cinqüenta de largura e
trinta de altura. O majestoso teto era
suportado por 45 pilares de cedro e, por
isso, o salão parecia uma floresta de
madeira de cedro. Terá sido por este
motivo que recebeu o nome de “a casa da
floresta do Líbano”. Em frente a esta
“casa” foi construída uma outra, que foi
apelidada de “o pórtico dos pilares” e
em frente desta situava-se o “pórtico do
juízo” ou sala do trono (1Rs 7:7; 1Rs
10:18-20; 2Cr 17-19), “a porta do rei”,
onde ele fazia justiça e concedia
audiências ao povo. Este palácio era de
uma grande magnificência e beleza. Uma
determinada área foi colocada à parte,
como residência da rainha consorte, a
filha de Faraó. A partir deste palácio
saía uma escadaria privada de madeira de
sândalo vermelha e perfumada que
conduzia ao templo.
Salomão também construiu grandes
empreendimentos com o fim de garantir o
pleno suprimento de água à cidade (Ec
2:4-6). Construiu, depois, Milo (LXX, “Acra”),
para defender a cidade, completando uma
linha de plataformas à volta dela (1Rs
9:15, 24; 1Rs 11:27). Construiu também
muitas outras fortificações para defesa
do seu reino em vários pontos, pontos
esses que se encontravam expostos aos
ataques dos inimigos (1Rs 9:15-19; 2Cr
8:2-6). Entre os seus grandes
empreendimentos deve também ser
mencionada a construção de Tadmor no
deserto, servindo de entreposto
comercial e posto avançado militar.
Durante o seu reinado, a Palestina gozou
de grande prosperidade comercial. Por
terra, efetuava-se um grande tráfico com
Tiro, com o Egito e com a Arábia. Pelo
mar, com a Espanha, a Índia e as costas
de África. Desta forma, Salomão acumulou
uma grande riqueza e produtos de todas
as nações (1Rs 9:26-28; 1Rs 10:11, 12;
2Cr 8:17, 18; 2Cr 9:21). Foi a “idade de
ouro” de Israel. A magnificência real e
o esplendor da corte de Salomão não
tinham rival. Tinha setecentas mulheres
e trezentas concubinas, uma prova do seu
orgulho, da sua riqueza e da sua
sensualidade. A manutenção da sua casa,
criadagem incluída, envolvia grandes
despesas. As provisões requeridas para
um dia eram “trinta medidas de flor de
farinha e sessenta medidas de farinha,
dez vacas gordas e vinte vacas de pasto
e cem carneiros, afora os veados e as
cabras monteses e os corços e as aves
cevadas” (1Rs 4:22, 23).
O reinado de Salomão foi não somente um
período de grande prosperidade material
mas também de uma notável atividade
intelectual. Ele era bem o líder do seu
povo também relativamente à instauração,
entre eles, de uma nova vida
intelectual. “E disse três mil
provérbios e foram os seus cânticos mil
e cinco. Também falou das árvores, desde
o cedro que está no Líbano até ao
hissopo que nasce na parede; também
falou dos animais e das aves e dos
répteis e dos peixes” (1Rs 4:32, 33).
A sua fama espalhou-se pelo estrangeiro
e vieram homens de longe e de perto “a
fim de ouvirem a sabedoria de Salomão”.
Entre os que, deste modo, foram atraídos
a Jerusalém, estava a “raínha do sul”
(Mt 12:42), a rainha de Sabá. “A sua
ânsia deve ter sido realmente profunda e
grande a fama que induziu a rainha de
lugares tão longínquos a quebrar
costumes imemoráveis da sua terra
sonhadora e a reunir toda a energia
requerida para enfrentar os fardos e os
perigos de uma tão longa viagem pelo
deserto. No entanto, ela empreendeu-a e
levou-a a cabo em segurança” (1Rs
10:1-13; 2Cr 9:1-12). Ela ficou
espantada com o que viu e ouviu: “o seu
espírito deixou-a”. Depois de uma troca
de presentes, ela voltou para a sua
terra natal.
Mas essa época de ouro passou. Os dias
de glória de Salomão terminaram cheios
de nuvens e escuridão. O seu declínio e
queda são um triste registro na sua
vida. As principais causas para o seu
declínio foram a poligamia e a sua
grande riqueza. “À medida que ia
envelhecendo, começou a passar mais
tempo com as suas favoritas. O indolente
rei, vivendo entre estas mulheres
indolentes, pois mil mulheres, com todos
os seus criados indolentes e
perniciosos, enchiam os palácios e casas
de prazer que ele construíra (1Rs 11:3),
aprendeu primeiro a tolerar e depois a
imitar os seus modos pagãos. Ele não
deixou realmente de acreditar em Deus
com a sua mente. Não deixou de oferecer
os habituais sacrifícios no templo por
altura das festas. Mas o seu coração não
estava com Deus; a sua adoração
tornou-se formal; a sua alma, esvaziada
do verdadeiro fervor religioso, procurou
encher-se com uma qualquer excitação
religiosa que a si próprio se oferecera.
Agora, pela primeira vez, foi
estabelecido publicamente um culto que
era não só irregular e proibido, tal
como o de Gideão (Jz 8:27) ou o dos
danitas (Jz 18:30, 31) mas era também
idolátrico” (1Rs 11:7; 2Rs 23:13).
Isto trouxe sobre ele a desaprovação
divina. Os seus inimigos prevaleceram
contra ele (1Rs 11:14-22, 23-25, 26-40)
e os juízos caíram sobre a terra. Então
chegou o fim e ele morreu após um
reinado de quarenta anos, tendo sido
sepultado na cidade de David. “Com ele
foi sepultada a glória e a unidade de
pouca duração em Israel”. “Ele deixa
para trás um filho fraco e sem valor,
que desmembrará o reino e desgraçará o
seu nome”.
“O reinado de Salomão”, diz Rawlinson,
“é de uma notável importância na
história bíblica. Uma nação
insignificante que, durante centenas de
anos, mantivera com alguma dificuldade
uma existência separada no meio de
tribos dedicadas à guerra e que, uma
após outra, exerceram domínio sobre ela,
oprimindo-a, é, de repente, elevada à
glória e grandeza pelo gênio de um
monarca soldado. É estabelecido um
império que se estendeu desde o Eufrates
até às fronteiras do Egito, numa
distância de 522 Kms; e este império
rapidamente construído, entra quase
imediatamente num período de paz que
dura meio século. Riqueza, grandeza,
magnificência, excelência artística e
empreendimento comercial elevam-na a uma
posição de dignidade entre as grandes
nações da terra. Mas no fim, dá-se um
colapso repentino. A nação é dividida em
dois, a proeminência conseguida nos
últimos anos perde-se e recomeçam as
lutas, os conflitos, a opressão, a
recuperação, a submissão inglória e os
esforços desesperados. |