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O Salvador
do mundo, o Messias. Nos tempos do novo
testamento Yeshûa', "Jesus", era um nome
comummente atribuído aos rapazes judeus.
Expressava a fé dos pais em Deus e na
Sua promessa n'Aquele que traria
salvação a Israel. O anjo Gabriel
instruiu José a dar ao primogênito de
Maria este nome, e a razão dada para
esta ordem era, "Ele salvará o seu povo
dos seus pecados" (Mt 1:21). "Cristo"
não era um nome pessoal pelo qual as
pessoas O conheciam enquanto esteve na
terra, mas um título usado para O
identificar como Aquele em quem as
profecias messiânicas do Velho
Testamento se tinham cumprido. Para
aqueles que acreditavam n'Ele como
enviado por Deus Ele era o Cristo, isto
é, o Messias, o "ungido" por Deus para
ser o Salvador do mundo. Quando usados
simultaneamente, como em Mt 1:18; Mt
16:20; Mc 1:1, os 2 nomes Jesus e Cristo
constituem uma confissão de fé de que
Jesus de Nazaré, o Filho de Maria, é de
fato o Cristo, o Messias (Mt 1:1; At
2:38). Jesus possuía também o título
Emanuel, "Deus conosco", em
reconhecimento da Sua divindade e
nascimento de uma virgem (Mt 1:23;
conforme. Is 7:14; Is 9:6, 7). Cristo
designava-se habitualmente "Filho do
homem" (Mc 2:10; etc. ), uma expressão
nunca usada por outros quando falando
sobre ou com Ele. Ao usar este título,
que parece ter implicações messiânicas,
Jesus acentuava a Sua humanidade,
referindo-se a Si mesmo como a Semente
prometida de Gn 3:15; Gn 22:18; cf. Gl
3:16. Jesus raramente utilizou o título
"Filho de Deus", que realça a Sua
divindade (Jo 9:35-37; Jo 10:36), embora
tenha várias vezes referido Deus como o
Seu Pai (Mt 16:17; etc.). No entanto, o
Pai tratou-O por Filho (Lc 3:22; Lc
9:35), e João Baptista (Jo 1:34) e os
discípulos (Mt 14:33; Mt 16:16), "Filho
de Deus". Jesus afirmava que Deus era
Seu Pai de uma maneira especial, e mais
tarde o Seu reconhecimento que Ele era o
Filho de Deus, permitiu aos judeus
garantirem a Sua condenação e morte (Lc
22:70, 71). Gabriel explicou que Jesus
seria chamado Filho de Deus em virtude
do Seu nascimento em Maria pelo poder do
Espírito Santo (Lc 1:35; cf. Hb 1:5), e
Paulo declarou que a ressurreição dos
mortos O designou "Filho de Deus" em
poder (Rm 1:4). Os Seus discípulos
frequentemente se dirigiam a Ele como
"Mestre" (Mc 4:38; Mc 9:38; etc.), e
eventualmente, em reconhecimento da Sua
divindade, como "Senhor" (Jo 14:5, 8; Jo
20:28). O termo "filho de David" era uma
designação Messiânica popular usada por
governantes e pessoas comuns (Mt 12:23;
Mt 22:42; Mc 12:35; etc.) como uma
expressão que revelava esperança do
livramento da opressão política.
CRONOLOGIA DA VIDA DE CRISTO
As datas exatas do nascimento,
ministério, e morte de Cristo não são
conhecidas mas podem ser determinadas
com uma precisão razoável (ver
cronologia de personalidades). Com um
erro de 4 ou 5 anos ao determinar o ano
do nascimento de Cristo, Dionysius
Exiguus, um monge Romano do séc. VI,
falhou no cálculo dos anos da sua nova
era Cristã. Ele colocou o nascimento de
Cristo pelo menos 4 ou 5 anos tarde
demais. Devido a este fator a data de
nascimento deve ser 4 ou 5 a.C.. Com
relativa certeza a morte de Herodes pode
ser datada no inicio da primavera de 4
a.C., e nessa altura Cristo já deveria
ter algumas semanas ou meses de idade
(ver Mt 2). Consequentemente, o Seu
nascimento pode ser datado no final do
outono de 5 a.C. ou no inverno de 5/4
a.C. João Baptista começou a pregar "no
décimo quinto ano do reinado de Tibério"
(Lc 3:1), um curto espaço de tempo -
talvez 6 meses (cf. Lc 1:24,26-31) -
antes do batismo de Jesus, a partir do
qual o Seu ministério público se
iniciou. Jesus tinha então
aproximadamente "trinta anos de idade" (Lc
3:23) e pouco tempo depois foi dito que
o Templo tinha sido "edificado em
quarenta e seis anos" (Jo 2:20). Falhas
no conhecimento presente tornam a
coordenação precisa destas datas
juntamente com a era Cristã difícil se
não mesmo impossível, sendo apenas
possível sugerir uma data aproximada
para o início do ministério público de
Cristo. Tendo em conta todos estes
fatores, o outono de A.D. 27 parece ser
a data que mais está em consonância com
estes dados. Com base apenas nos
registros dos evangelhos sinópticos
(Mateus, Marcos, e Lucas) pode-se
concluir que o ministério de Jesus
continuou por pouco mais de um ano,
devido ao relato de eventos de apenas 2
Páscoas. João, no entanto, menciona 3
Páscoas (Jo 2:13,23; Jo 6:4; Jo 13:1) e
uma não especificada "festa dos judeus"
(Jo 5:1). O aprisionamento de João
Baptista, ligado a eventos relacionados
do ministério de Cristo, ajudam a
determinar que esta festa desconhecida
era provavelmente também uma Páscoa.
Quatro Páscoas tornariam a duração do
ministério de Cristo em aproximadamente
3 anos e meio.
VIDA E MINISTÉRIO PÚBLICO
1 - Da Infância à Vida Adulta.
Jesus nasceu em Belém, cidade de
David, a fim de que fosse identificado
mais facilmente como o filho de David, e
assim o Messias das profecias do Velho
Testamento (Lc 2:1-7; cf. Mq 5:2). Foi
circuncidado no 8º dia (Lc 2:21), sendo
a circuncisão um sinal do concerto e um
voto de obediência aos seus requisitos.
Jesus nasceu "debaixo da lei" de Moisés
e submetido à sua jurisdição (Gl 4:4).
Mais tarde José e Maria levaram Jesus ao
Templo para a cerimônia da dedicação do
primogênito (Lc 2:22-38, 39; conforme Lv
12:1-4). Desde os tempos antigos este
ritual era seguido pelos hebreus em
reconhecimento da promessa de Deus de
dar o Seu primogênito para salvar o povo
perdido. No caso de Jesus era um
reconhecimento do ato de Deus em dar o
Seu Filho ao mundo, e da dedicação do
Filho à obra que vinha cumprir. Depois
da visita dos magos (Mt 2:1-12), pelos
quais Deus chamou à atenção dos lideres
da nação judaica para o nascimento do
seu filho, José e Maria brevemente se
refugiaram no Egito a fim de escapar à
fúria de Herodes (Mt 2:13-18). Ao voltar
à Palestina, eles foram divinamente
instruídos a fixarem-se na Galileia ao
invés da Judéia, provavelmente a fim de
evitar o estado de anarquia que
prevalecia na Judéia durante o reinado
turbulento de Arquelau (Mt 2:19-23; Lc
2:39, 40). Com a idade de 12 anos um
rapaz judeu deixava de ser considerado
uma criança e passava a ser um jovem.
Como um "filho da lei" ele tornava-se
pessoalmente responsável em cumprir os
requisitos da religião judaica, e
esperava-se que participasse nos seus
serviços sagrados e festas. De acordo
com esta tradição, com a idade de 12
anos Jesus assistiu à Sua primeira
Páscoa, onde pela primeira vez deu
evidências de uma compreensão da Sua
própria relação especial como Pai e da
missão da Sua vida (Lc 2:41-50).
2 - Início do Ministério Público
O batismo de Jesus e unção do
Espírito Santo, possivelmente na altura
da Festa dos Tabernáculos no outono de
A.D. 27, foi para Ele um acto de
consagração ao trabalho de toda a Sua
vida e que marcou o inicio do Seu
ministério (Mt 3:13-17; cf. At 10:38). O
Pai publicamente declarou Jesus como o
Seu único Filho (Mt 3:17), e João
Baptista reconheceu o sinal que lhe
tinha sido dado para identificar o
Cordeiro de Deus (Jo 1:31-34). Após o
Seu batismo Jesus retirou-se para o
deserto a fim de meditar na Sua missão.
Aí o tentador O pressionou com tentações
concebidas para apelar aos sentidos, ao
orgulho, e ao Seu próprio sentido de
missão. Antes de poder ensinar os homens
Ele próprio tinha de vencer o tentador
(Mt 4:1-11; cf. Hb 2:18). Mais tarde
Jesus voltou ao Jordão onde João
Baptista estava a pregar (Jo 1:28-34), e
pouco tempo depois reuniu à sua volta um
pequeno grupo de seguidores - João,
André, Simão, Filipe e Natanael (Jo
1:35-51). O seu primeiro milagre , em
Caná da Galileia (Jo 2:1-11), fortaleceu
a sua fé n'Ele como o Messias e deu-lhes
uma oportunidade de testificar da sua
nova fé a outros.
3 - Ministério na Judéia
Na purificação do Templo na altura
da Páscoa na primavera seguinte, uns 6
meses depois do Seu batismo, Jesus
publicamente anunciou a Sua missão de
limpar os corações dos homens da
corrupção do pecado (Jo 2:13-17).
Desafiado pelas autoridades do Templo
devido a este ato, Ele apontou
secretamente para a Sua morte na cruz
como o meio pelo qual se propunha a
purificar o Templo do seu corpo (Jo
2:18-22). A visita noturna de Nicodemos,
um conselheiro chefe, deu a Jesus uma
oportunidade, no princípio do Seu
ministério, de explicar o propósito da
Sua missão a um membro do Sinédrio (Jo
3:1-21) que era receptivo. Mais tarde
Nicodemos temporariamente frustrou os
planos dos sacerdotes para destruir
Jesus (cf. Jo 7:50-53). Deixando
Jerusalém, Jesus ministrou durante um
prolongado período na Judéia (Jo 3:22).
As pessoas juntavam-se em grandes
multidões para O ouvir, e o nível de
popularidade gradualmente mudou de João
para Jesus (Jo 4:1). Quando o
descontentamento surgiu entre os
discípulos de João devido a esta
situação (Jo 3:25-26), Jesus, desejando
evitar qualquer tipo de mal-entendidos,
calmamente cessou o Seu trabalho e
retirou-se, durante algum tempo, para a
Galileia (Jo 4:1-3). No entanto, Jesus
tirou partido desta interrupção no
ministério da Judéia para preparar o
caminho para o Seu mais tarde bem
sucedido ministério em Samaria e na
Galileia. Ao voltar a Jerusalém para a
Páscoa de A.D. 29 Jesus curou um
paralítico no tanque de Betesda no dia
de Sábado, provavelmente o pior, e mais
famoso, caso ali presente (Jo 5:1-15).
Os lideres judeus tinham tido um ano
completo para observar Jesus e avaliar a
Sua mensagem, e Jesus sem dúvida operou
este milagre para os levar a tomar uma
decisão visível. Acusado pelos judeus de
violar o Sábado, Jesus defendeu-se ao
dizer: "Meu Pai trabalha até agora, e eu
trabalho também" (Jo 5:16-18). Eles
tinham tido várias provas do seu
Messiado: (1) Tinham ouvido, e
professado aceitar, a mensagem de João
Baptista - e João tinha declarado Jesus
como o Filho de Deus (Jo 5:32-35; cf. Jo
1:31, 34). (2) Os muitos milagres que
Jesus tinha realizado durante o Seu
ministério na Judéia (Jo 2:23), e
particularmente a cura do homem
paralítico nesse mesmo Sábado,
testificavam a Sua afirmação (Jo 5:36).
O próprio facto de que Ele estava a
fazer as obras de Seu Pai (Jo 5:36; cf.
Jo 5:17) testificavam que Ele tinha
vindo do Pai. (3) O próprio Pai tinha
declarado Jesus como sendo Seu Filho (Jo
5:37, 38). (4) A prova suprema do
Messiado de Jesus encontrava-se nos
escritos de Moisés que eles professavam
aceitar e que seria o seu juiz caso O
rejeitassem (Jo 5:39-47).
Os sacerdotes e juizes certamente teriam
assassinado Jesus mesmo se o tivessem
ousado, mas o sentimento popular era
muito forte a Seu favor (cf. Jo 5:16,
18). Eles, no entanto, rejeitaram as
Suas alegações e ficaram determinados a
tirar a Sua vida numa altura futura (Jo
5:18). A partir daquela altura os
autores dos Evangelhos frequentemente
mencionavam espiões serem enviados para
relatar tudo o que Jesus dizia e fazia,
demonstrando que estes sacerdotes e
governantes estavam a tentar construir
um caso contra Ele (cf. Lc 11:54; Lc
20:20; etc.). Também, nesta altura,
Herodes Antipas prendeu João Baptista (Lc
3:19, 20). Estes 2 eventos - a rejeição
do Sinédrio e a prisão de João Baptista
- marcam o final do ministério na Judéia
(Mt 4:12; cf. Jo 7:1). Para evitar
conflitos desnecessários com os
professores de Jerusalém, Jesus a partir
dessa altura restringiu o Seu trabalho
principalmente à região da Galileia e,
de fato, não voltou a Jerusalém até a
Festa dos Tabernáculos um ano e meio
depois.
4 - Ministério na Galileia
Os Galileus eram menos sofisticados
e menos dominados pelos seu lideres do
que os judeus da Judéia, e as suas
mentes estavam assim mais abertas a
receber a verdade. Durante o ministério
na Galileia o entusiasmo era tão grande
que Jesus era, algumas vezes, obrigado a
esconder-Se a fim de evitar que as
autoridades romanas tivessem motivos
para temer uma insurreição. Por algum
tempo parecia que os galileus iam
receber Jesus como o Messias. Jesus
iniciou o seu trabalho na Galileia em
Nazaré, cujas pessoas O conheciam melhor
e deveriam estar melhor preparadas para
o receber como o Messias (Lc 4:16-30).
Na sinagoga no dia de Sábado Jesus
explicou-lhes a natureza e o propósito
da Sua missão, mas eles recusaram-se a
aceitá-Lo e se propuseram a tirar-Lhe a
vida.
Abandonando Nazaré, Jesus fez de
Cafarnaum o centro da Sua obra na
Galileia (Mt 4:13-17). Perto do mar uma
manhã Jesus chamou Pedro e André, Tiago
e João, para se unirem a Ele como
colaboradores e O seguirem a partir
desse momento como discípulos a tempo
inteiro (Lc 5:1-11; cf. Mt 4:18-22). A
popularidade de Jesus rapidamente subiu
a um nível que Jesus se sentiu compelido
a deixar Cafarnaum por algum tempo e
trabalhar noutro local (Mc 1:28, 33, 37,
38). Então Jesus iniciou a Sua primeira
viagem pelas cidades e vilas da Galileia,
proclamando que o "Reino de Deus" estava
"próximo" (Mc 1:14, 15; Lc 4:31, 43). Ao
voltar a Cafarnaum, Ele curou o
paralítico que foi descido do telhado (Mc
2:1-12). Presente nessa altura para
testemunhar o milagre estava uma
delegação de "Fariseus e doutores da
lei" de todas as partes da Judéia e da
Galileia e também representantes das
autoridades de Jerusalém (Lc 5:17) que
tinham vindo investigar e interferir na
Sua obra na Galileia. Ao perdoar e curar
o paralítico Jesus deu-lhes provas
irrefutáveis que era o poder divino que
estava a operar, e que a Sua autoridade
era divina (Jc 5:18-24). O fracasso das
tentativas de descreditar Jesus era
evidenciado pela cada vez maior
popularidade que marcava o Seu trabalho
(cf. Mc 3:7>>, 8).
Durante o intervalo entre a primeira e a
segunda viagem pela Galileia, Jesus
ordenou 12 dos seus seguidores para
seres apóstolos (Mc 3:13-19). No mesmo
dia (ver Lc 6:13-20) Ele discursou o
Sermão da Montanha, que era destinado
principalmente aos Seus discípulos, mas
dado a ouvir a uma grande multidão (Mt 5
a Mt 7). Neste sermão, que pode ser
considerado como o Seu discurso
inaugural como Rei do reino da graça
divina e como o passaporte para o Seu
reino, Jesus explanou os seus princípios
fundamentais. Pouco tempo depois, Jesus
partiu na Sua 2º viagem pela Galileia (Lc
8:1-3), da qual o relatório é mais
detalhado do que qualquer uma das
outras. No seu decorrer Jesus demonstrou
o poder do Seu reino e o seu valor para
os homens. Começou em (Lc 7:11-17) e
terminou em (Mc 5:21-43) com
demonstrações de poder sobre a morte.
Jesus também demonstrou o Seu poder
sobre a natureza (Mt 8:23-27) e sobre
demônios (Mt 12:22-45; Mc 5:1-20). Como
o Rei do reino da graça divina, Jesus
podia libertar os homens do medo da
morte, o medo dos elementos da natureza,
e do medo de demônios - que sumarizava
os medos populares daquela época.
No decurso desta viagem Jesus deu o Seu
sermão a partir do mar (Mt 13:1-53),
numa série de parábolas demonstrando os
mesmos princípios que tinha ensinado de
uma forma mais formal no Sermão da
Montanha. Na 3ª viagem pela Galileia
Jesus enviou os Doze, dois a dois, a fim
de ganhar experiência em evangelismo
pessoal (Mt 9:36 a Mt 11:1). Na sua
ausência , juntamente com outros
discípulos, Ele revisitou Nazaré, onde
os seus concidadãos O rejeitaram uma
segunda vez (Mc 6:1-6). Esta viagem
terminou aproximadamente no tempo da
Páscoa na primavera de A.D. 30. A prova
de poder divino no milagre dos pães e
dos peixes (Mc 6:30-44) foi aceite pelos
5.000 homens presentes como uma
evidência indiscutível de que o há muito
aguardado Salvador estava entre eles.
Aqui estava um homem que podia abastecer
exércitos inteiros com comida, que podia
curar soldados feridos e ressuscitar os
mortos, e que podia conquistar as
nações, restaurar o domínio para Israel,
e tornar a Judeia no Paraíso terrestre
predito pelas profecias antigas. Eles
tentaram coroá-Lo, mas Jesus rejeitou (Jo
6:14, 15). Este foi o ponto de viragem
do Seu ministério. Após uma noite
tempestuosa no mar (Mt 14:22-36) Jesus
retornou a Cafarnaum, onde deu o sermão
sobre o Pão da Vida (Jo 6:25 a Jo 7:1).
O povo que tinha idealizado Jesus como o
governante de um reino terrestre
compreendeu agora que o Seu era um reino
espiritual, e a maioria "voltou atrás e
não mais andou com Ele" (Jo 6:66). A
opinião pública voltou-se então contra
Jesus na Galileia assim como tinha sido
na Judéia um ano antes.
5 - Retirada
Jesus nesta altura descontinuou a
Sua obra pública para o povo da Galileia.
Rejeitado pelos lideres e pelo povo em
geral, Ele chegou à conclusão que o Seu
trabalho estava rapidamente a chegar ao
seu termo. Perante Ele desenhavam-se os
contornos das cenas do Seu sofrimento e
morte, mas mesmo isso os Seus discípulos
não conseguiam compreender. Tal como a
generalidade do povo, eles ainda tinham
a concepção do Seu reino como sendo um
domínio terrestre. Repetidas vezes Jesus
discutiu o Seu Messiado e missão com
eles numa tentativa de os preparar para
o grande desapontamento que eles estavam
prestes a experimentar. Em Cesárea de
Filipo (Mt 16:13-28), no monte da
transfiguração (Mt 17:1-13), e enquanto
se dirigiam até lá (Mt 17:22, 23), Ele
lhes explicou que como Messias tinha de
sofrer e morrer. Também, durante este
período, Jesus retirou-se para as
regiões não judaicas da Fenícia (Mt
15:21-28), Cesárea de Filipo (Mt
16:13-28), e Decápolis (Mc 7:31 a Mc
8:10), com a finalidade de despertar nos
Seus discípulos um sentido de
responsabilidade pelos pagãos. A
confissão de fé em Cesárea de Filipo (Mt
16:13-20) marcou um importante ponto de
viragem no relacionamento dos discípulos
com Jesus. A compreensão que eles tinham
da Sua missão tinha crescido durante o
tempo da sua associação com Ele. Agora,
pela primeira vez deram sinais de uma
compreensão mais madura e de um apreço
por essa missão.
6 - Ministério em Samaria e Pereia
No outono desse ano Jesus, com os
seus discípulos, assistiu à Festa dos
Tabernáculos (Jo 7:2-13). Esta foi a Sua
primeira visita a Jerusalém desde a cura
do paralítico no tanque de Betesda e da
Sua rejeição pelo Sinédrio 18 meses
antes. A questão do Messiado de Cristo
estava agora patente na mente das
pessoas, que sabiam também da
conspiração contra a Sua vida (Jo
7:25-31). Havia uma divisão de opinião
bem definida entre os que achavam que
Jesus devia ser aceite como o Messias ou
condenado à morte (Jo 7:40-44). Quando
uma tentativa abortada foi feita para
prender Jesus, Nicodemos silenciou os
conpiradores (Jo 7:45-53).Outra
tentativa foi feita para Lhe preparar
uma cilada (Jo 8:3-11). Quando Jesus
ensinava no Templo as autoridades
judaicas novamente O desafiaram, e Ele
em resposta abertamente referiu-se a
Deus como Seu Pai e se declarou ser o
Enviado de Deus - que resultou na
pretensão deles em o apedrejar ali mesmo
(Jo 8:12-59). No entanto, Ele escapou (Jo
8:59) e aparentemente voltou brevemente
à Galileia antes de partir daí para a
Sua última viagem para Jerusalém (cf. Lc
9:51-56).
Nos meses seguintes Jesus trabalhou em
Samaria e na Pereia, e durante este
tempo enviou os Setenta a realizar a sua
missão (Lc 10:1-24). Pouco se sabe
acerca da rota que Jesus tomou, mas os
relatos de Lucas mencionam as parábolas
contadas e as experiências vividas
durante este período (Lc 9:51 a Lc
18:34). Jesus procurou nessa altura
atrair a atenção pública e mandou
mensageiros adiante para anunciar a Sua
vinda (Lc 9:52; Lc 10:1). Ele estava a
avançar para o cenário do Seu grande
sacrifício, e a atenção do povo tinha de
ser dirigida para Ele. Durante o Seu
ministério na Pereia a multidão mais uma
vez se aglomerou ao Seu redor como nos
primeiros dias do Seu ministério na
Galileia (ver Lc 12:1). 3 meses antes da
Páscoa Ele dirigiu-se a Jerusalém para
assistir à Festa da Dedicação (Jo
10:22). Mais uma vez, as autoridades O
acossaram no Templo, exigindo, "Se tu és
o Cristo, dize-no-lo abertamente." (Jo
10:24). Após uma breve discussão os
judeus uma vez mais pegaram em pedras
para O apedrejar por se fazer passar por
Deus (Jo 10:25-33). Pouco tempo depois
procuraram prendê-lo, mas mais uma vez
Ele escapou das suas mãos e voltou à
Pereia (Jo 10:39, 40). A morte de Lázaro
poucas semanas antes da crucificação
trouxe Jesus de volta brevemente à
proximidade de Jerusalém para o Seu
supremo milagre, que foi efetuado na
presença de um número de líderes judeus
e que providenciou mais uma vez um prova
irrefutável que os sacerdotes não podiam
interpretar mal ou negar (ver Jo
11:1-44). Este milagre atestou o selo de
Deus ao trabalho de Jesus como Messias,
mas ao ser relatado aos líderes em
Jerusalém (Jo 11:45, 46), eles
determinaram afastar Jesus do caminho na
primeira oportunidade que tivessem (Jo
11:47, 53). Esta prova de poder sobre a
morte era a prova suprema de que na
pessoa de Jesus, Deus tinha, de facto,
enviado o Seu Filho ao mundo para a
salvação dos homens do pecado e da sua
pena, a morte. Os saduceus, que negavam
a vida depois da morte, estavam agora
indiscutivelmente alarmados, e unidos
com os fariseus numa determinação firme
para silenciar Jesus (cf. Jo 11:47). Sem
o desejo de apressar a crise antes da
altura certa, Jesus retirou-se mais uma
vez de Jerusalém durante algum tempo (Jo
11:54).
7 - Ministério Final em Jerusalém
Poucas semanas após a ressurreição
de Lázaro, Jesus mais uma vez se dirigiu
a Jerusalém. Descansando em Betânia no
Sábado (ver Jo 12:1), Ele foi recebido
na casa de Simão (Mt 26:6-13; cf. Lc
7:36-50). Aproximadamente nessa altura
Judas foi ao palácio do sumo-sacerdote
com uma oferta para lhes entregar Jesus
(Mt 26:14, 15). No Domingo Jesus entrou
triunfalmente em Jerusalém, manifestando
publicamente ser o Messias-Rei (Mt
21:1-11). A alegria das pessoas que
tinham vindo a Jerusalém para assistir à
Páscoa foi estimulada até ao pico mais
alto em que O aclamaram como rei. Os
discípulos de Jesus sem dúvida tomaram a
Sua aceitação desta homenagem como prova
de que as suas esperanças estavam
prestes a ser cumpridas, e a multidão
acreditava que a hora da sua emancipação
dos romanos estava próxima. Jesus
compreendeu que esta atitude o levaria à
cruz, mas era Seu propósito dessa
maneira chamar publicamente a atenção de
todos para o sacrifício que estava
prestes a cometer. Na segunda-feira Ele
limpou o Templo uma segunda vez (Mt
21:12-16), assim repetindo no final do
seu ministério o mesmo ato pelo qual ele
tinha iniciado o Seu trabalho 3 anos
antes. Esta atitude constituiu um
desafio direto à autoridade dos
sacerdotes e governantes. Quando eles
contestaram o Seu direito a agir daquela
forma - "Com que autoridade fazes tu
estas coisas?" (Mt 21:23) - Jesus
respondeu de uma forma tal que revelou
toda a sua incompetência em avaliar as
Suas credenciais como Messias (Mt
21:24-27). Através de uma série de
parábolas (Mt 21: 28 a Mt 22:14) Ele
descreveu a direção que os lideres
Judeus estavam a seguir ao rejeitarem-No
como o Messias, e nas Suas respostas a
uma série de questões que eles lhes
colocaram (Mt 22:15-46) refutou os Seus
críticos de uma forma tal que nenhum
deles ousou questioná-Lo novamente (Mt
21:46).
Após publicamente ter exposto o caráter
corrupto dos escribas e dos fariseus,
Jesus afastou-se do Templo para sempre
(Mt 23), declarando, "Eis aí abandonada
vos é a vossa casa" (Mt 23:38), uma vez
que apenas no dia anterior Ele se tinha
referido ao Templo como a "minha casa"
(Mt 21:13). Com esta declaração Jesus
deserdou a nação judaica do concerto que
a ligava a Deus. Ele tomou o "reino de
Deus" da posse dos judeus a fim de o
poder dar a "um povo que dê os seus
frutos" (Mt 21:43). Nessa noite Jesus
retirou-se juntamente com 4 dos seus
discípulos (Mc 13:3) para o Monte das
Oliveiras, onde sublinhou o que se iria
passar antes do estabelecimento do Seu
reino visível na terra (Mt 24; Mt 25). A
quarta-feira da Semana da Paixão foi
passada por Jesus em privacidade com os
Seus discípulos. Na quinta-feira à noite
Ele celebrou a Páscoa com eles, ao mesmo
tempo instituindo a ordenança da Ceia do
Senhor (Lc 22:14-30; Mt 26:26-29; Jo
13:1-20). Depois da ceia Ele procurou
aconselhá-los ativamente em relação ao
futuro e à Sua eventual volta (Jo 14 a
Jo 16). Assim que Ele entrou no Jardim
do Getsémani o peso dos pecados do mundo
caíram sobre Ele (Mt 26:37) e
aparentemente estava-Lhe vedado o acesso
à luz da presença do Pai, experimentando
o resultado do pecado que é a eterna
separação de Deus. Torturado pelo medo
de que Ele podia ser separado para
sempre do amor do Pai, que na Sua
humanidade Ele podia não suportar o
sofrimento que se avizinhava, e de que
seria rejeitado por aqueles que tinha
vindo salvar, Ele foi tentado a
abandonar a Sua missão e deixar a raça
humana sofrer as conseqüências (cf. Mt
26:39, 42). No entanto Ele bebeu a taça
do sofrimento até a ultima gota. Na
altura em que Ele desfalecia, recebendo
o sofrimento da morte para cada homem,
um anjo vindo do céu O fortaleceu a fim
de suportar as horas de tortura que se
aproximavam (Mt 26:30-56; Lc 22:43).
Nessa noite Jesus foi preso, e na manhã
seguinte Ele apareceu primeiro perante
as autoridades (Jo18:13-24; Mt 26:57-75;
Lc 22:66-71), e mais tarde perante
Pilatos (Jo 18:28 a 19:6) e perante
Herodes (Lc 23:6-12). Jesus foi
condenado à morte pelos judeus, e a
sentença recebeu a relutante ratificação
do procurador romano. Nesse mesmo dia
Jesus foi conduzido para ser crucificado
(Jo 19:17-37). Pela Sua morte na cruz
Jesus pagou o preço do pecado e
sustentou a justiça e misericórdia de
Deus. Aos pés da cruz o egoísmo e ódio
do ser criado que aspirou ser igual a
Deus mas que ignorou Deus ao ponto de
matar o Filho de Deus, esteve face a
face com o amor altruísta do Criador,
que se interessou tanto pelos seres que
tinha criado que tomou a natureza de um
escravo e morreu a morte de um criminoso
a fim de os salvar da sua maldade (ver
Jo 3:16). A cruz demonstrou que Deus
podia ser ao mesmo tempo misericordioso
e justo quando perdoou aos homens os
seus pecados (cf. Rm 3:21-26). A morte
de Jesus na cruz ocorreu sensivelmente
na altura do sacrifício da tarde na
sexta-feira, e a Sua ressurreição
ocorreu no domingo seguinte de manhã (Mt
27:45-56; Mt 28:1-15). Depois da sua
ressurreição Jesus tardou na terra
durante algum tempo a fim de que os Seus
discípulos se pudessem familiarizar com
Ele como um Ser glorificado. As Suas
aparições (Lc 24:13-45; Jo 20:19-21, 25;
etc.), autentificavam a ressurreição.
Quarenta dias depois Ele ascendeu ao
Pai, assim terminando o seu ministério
terrestre (Lc 24:50-53). "Eu subo para
meu Pai e vosso Pai", foram as Suas
palavras (Jo 20:17). A sua ordem antes
da partida era a de que os Seus
seguidores proclamassem as boas novas do
evangelho a todo o mundo (Mt 28:19, 20).
A certeza de que Jesus tinha realmente
saído do túmulo e tinha ascendido ao Pai
(Lc 24:50-53) deu um poder dinâmico ao
evangelho à medida que os apóstolos o
proclamavam a todo o mundo conhecido na
sua geração (ver At 4:10; 2Pe 1:16-18;
1Jo1:1-3).
( Seventh-Day Adventist Bible Dictionary
) |